O enredo “Waranã, a reexistência vermelha” traz a lenda do surgimento do guaraná baseado nos contos contidos no “Sehaypóri, o livro sagrado do povo Saterê-Mawé”, do escritor da etnia Sateré-Mawé, Yaguarê Yamã.

A lenda do guaraná nos traz visões sobre ciclos, descendências, vida e morte… reexistências.

Monã, que equilibra as forças opostas, porém complementares entre si, do positivo e negativo, bem e mal, luz e escuridão, Tupana e Yurupari. Ele cria Nusokén, uma floresta encantada, que é guardada por Anhyã, detentora da sabedoria das folhas, e seus dois irmãos.

Um dia, uma cobra se apaixona pela guardiã da floresta e a seduz com o perfume de uma flor. Ao cheirá-la, a cobra a pica e ela engravida, o que desperta raiva em seus irmãos e eles a expulsam de Nusokén. Assim, ela vai ter seu filho fora da floresta sagrada.

Cahuê nasceu falante, brincalhão e com olhos curiosos. Tão curioso que cismou de comer castanhas da castanheira sagrada de Nusokén, mesmo sendo proibido. Ao saber da desobediência do curumim, seus tios recorrem a Yurupari, que envia uma serpente para dar fim àquela travessura.

Com a morte de Cahuê, Anhyã recebe a ordem de Tupana para plantar os olhos da criança e “regar” com suas lágrimas. Ao fazer isso, nasce o guaraná com a aparência dos olhos do curumim.

Das sementes desses guaranás, ela faz um líquido que contém a energia vital de Tupana e molha o solo ontem havia enterrado o corpo de Cahuê para nascer o primeiro Sateré-Mawé.

Dele é gerada a nação de pele vermelha guardiã do guaraná.

Nação esta que, assim como todos os povos e habitantes das florestas, resistem, ao longo da história, aos ataques dos filhos de Yurupari.

Assim como a natureza nos ensina que tudo nela se transforma, a força dos povos originários reexiste.

Reexistem os ancestrais da floresta na própria natureza, nas entidades espirituais afro-ameríndias, nos ritos caboclos…

Assim, Cahuê brinca com os erês bebendo seu guaraná nas festas de Ibejada.